Estudos sobre o Sermão do monte parte 1

E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; Mateus 5:1

Ps: Antes de tudo as postagens nesse blog não tem a pretensão de esgotar uma análise sobre os profundos ensinamentos de Cristo no texto em questão, mas expor nossas observações e ressaltar aquilo que vemos como “pontos-chave”.

Mateus 5, certamente, figura entre os capítulos da bíblia mais conhecidos por qualquer pessoa no ocidente. O momento em que Jesus sobe a um monte e começa a sistematicamente proferir ensinamentos práticos e ao mesmo tempo profundos sobre questões dessa vida é reconhecidamente um dos pontos mais altos do seu ministério terreno.

Vamos contextualizar um pouco

O texto de Mateus capítulo 5 é o primeiro que nos fornece ensinamentos oriundos direto dos lábios de Cristo ao povo. No capítulo anterior, após Jesus ser tentado pelo diabo, voltar do deserto e chamar para si seguidores há um breve relato do seu trabalho. Sua fama se espalhou com certa rapidez. Pessoas começaram a serem trazidas até ele para serem curadas e outras vinham para ouvir o evangelho.

O texto em si

  •  E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulosLogo no primeiro versículo, é notório que Jesus aproveitou o momento para expor seus ensinamentos. Ele não o fizera anteriormente talvez por que esperasse o número ideal de pessoas ou o local adequado para que todos os ouvissem, de qualquer percebe-se que não foi um momento aleatório, mas sim o momento e o local onde os ensinos seriam mais frutíferos.
  • Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;
    Mateus 5:3

O primeiro ensinamento parece justamente ser algo controverso a um primeiro olhar. Afinal bem-aventurados (felizes) aqueles que são pobres de espírito, não parece uma boa forma de começar um discurso. Entretanto, aqueles a quem ele queria ensinar compreenderam seus ensinos. Pobre de espírito no contexto da bíblia não tem o mesmo significado que essa expressão tem para nós. Quando queremos dizer que alguém é pobre de espírito, queremos dizer que uma pessoa é mesquinha, avarenta ou ainda sim que lhe falta entendimento espiritual das coisas.

Não foi isso que Cristo ensinou. Primeiro, entendamos que a palavra “pobre” em uma definições no dicionário significa “humilde”, “não possuidor de posses”. Talvez seja por causa do contexto daquela ou por outro motivo não muito claro para nós essa tenha sido a melhor maneira daqueles que ouviram a mensagem entenderem. Ser pobre de espírito é essencialmente reconhecer que espiritualmente você depende de Deus. Jesus Cristo quis convidar seus ouvintes a de imediato a reconhecerem que não tinham nada diante de Deus. Suas primeiras palavras foram um convite a humildade. Provavelmente se não se despissem de toda soberba e sentimento de autossuficiência, não entenderiam o que viria a seguir. Essa é uma recomendação para todos aqueles que estudam a palavra de Deus. Não me refiro a estudantes de teologia, não estou falando de exegetas ou hermaneutas, estou falando de todos. Quando separarmos um momento específico para aprender do Senhor. Ceguemos despido de toda crença que temos algo. Somos pobre, toda riqueza desse mundo ficará. Para conseguirmos tesouros espirituais primeiramente precisamos reconhecer nossa miséria.

  • Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados
    Mateus 5:4

Mais uma vez um convite ao quebrantamento. Parece que o Senhor Jesus quis enfatizar à multidão o quanto eles precisavam perceber sua pequenez diante do criador. Choro é sinônimo de dor, tristeza e frustração. Era isso que Cristo desejava que os destinatários da sua mensagem? Certamente não. Ele desejava que aqueles quais Deus chamou para si, depois de reconhecerem sua pobreza espiritual precisavam de certa forma “extravasar” suas dores. Chorar aos pés de Deus é entregar a Ele suas dores e problemas e Ele viria como um bálsamo consolar sarando as feridas da alma.

Como você se aproximou de Deus hoje? Com humildade? Colocou nesse sua dependência ou você ainda confia nas suas posses. Devemos nos despir de qualquer coisa que nos traga a sensação de segurança que não seja Cristo. Choremos aos pés Dele pois é de sua vontade nos consolar.